domingo, 16 de dezembro de 2012

Dos males o menor...



Se te chamo de putinha

sou machista e indecorosa.

No entanto, se não chamo,

você não goza...


Leila Míccolis.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Duas doses de blues, por favor!



Trago seu cheiro na lembrança
E a cor do aroma é azul
Uma dose a mais de melancolia
Em corpos e copos nus
e é quando a noite se cala
E os sonhos vão todos pra vala
descubro que sou um bom jogador
Nesse jogo de jogar com a dor
Xeque mate-me com amor.


Ana Agridoce e Hum Bárbaro.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sede II


Mate minha sede
Rasgue minha saia
Molhe minha calcinha
Me sirva uma dose de cicuta
Na sua língua intra-venosa
Sabores, odores, suores
Sorvo gole a gole
Wiski cowboy nos lençóis
Mente Suja
Corpo Mole.

domingo, 18 de novembro de 2012

Cosmogonia


Ser estrela pra todo lado,

Quando explodir em fúria,

Big Ban,
bom bom
no vai e vem.

Universo em expansão,

Na palma da sua mão,

Sístole e diástole,

Órbita a dentro.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Desaguar

Hoje o dia amanheceu pra te amar
O sol saiu e quiz voltar
Pra que fosse sempre noite no nosso altar
Aquele menino cresceu rápido
Já não cabe em si
Momentos maravilhosos como num livro do Gárcia Marques
Realidades Fantásticas no decorrer da tarde
Quando o corpo lhe arde
E um sorriso estampa toda a face.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sem teto, tetas ou afeto.

Ocupar o ventre,
vencer resistências,
domesticar o riso,
suar litros,
cansar meu corpo.
teu prazer é me ver assim,
desnuda
muda
louca
confusa
levando uma surra
fazendo gostosuras
em pé, na cama ou na rua.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Matemática na prática

Nós 2
Num 4º
Viramos 1
Por 3 segundos.

Equinócios.

Alguma coisa está fora da ordem,
da nova ordem astral
órbitas se chocam em pensamento.
talvez o trópico de Capricórnio,
sacudindo meu eixo.
Cabelos em desalinho,
que voam sem destino
 mãos que passeiam
por teus meridianos,
quase ao sul,
onde pousa o Sol,
que se escondia na casa de Vênus.
O ócio aqui habita,
um quarto quente em pleno inverno,
abro as janelas,
mas só entra o desespero.

domingo, 4 de novembro de 2012

Cio.

Olhos de felina,
Grandes unhas a ferir-lhes as costas,
era um banho de gato a cada hora,
salivas já misturadas,
o quarto todo cheirava a sexo,
gostavam de viver assim,
eram sacanas, podres e fétidos.

Lições

Queria com Gil aprender a ser só
Reagir quando a tristeza invade
A cabeça em tormenta
E o corpo em exaustão
Pensamentos maus vem
Crises de não sei de onde
Furacões com nome de mulher
A destronar reis e derrubar pilares

Queria com Gil aprender a só ser
E ser tomado de uma alegria pontual
Não felicidade
Seria pedir demais
Ser feliz

Poetas não precisam de felicidade
Mas de alegria contagiante
Sorriso de mulher morena
Cheiro de pescoço fino
Beijos de olhos fechados

Sem arrependimentos
Sem retirar o que disse
E só dizer o que sente
Durmir em paz.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Quando ela passa.

Lua cheia,
vento safado,
que levanta sua saia,
homens na calçada
conversam sobre futebol e política
e de repente se viram,
pra apreciar aquela vista,
a vizinha sozinha,
que já virou a alegria do bairro.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Desorientada.

Faltei às aulas de bons modos.
Etiquetas sempre me deram alergia.
- Mocinhas não sentam de perna aberta!
Exclamava a Polyana.
Garota estúpida.
Ainda prefiro a Danuza.
Não me diga o que tenho que fazer,
Seja na cama ou na sala.
Suas orientações só me atrapalha.
Não me ponha regras.
Ponho no lixo, seus manuais.
Bebo, arroto e bato na mesa.
- Garçom traz mais uma cerveja!
E põe a fofoca na minha conta.
Vivo com meu dinheiro,
Se tiver incomodado,
vá cantar de galo em outro terreiro!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Não se meta.

Metaforicamente nua
Meti os pés pelas mãos 
Uma vértebra a menos de solidão.

domingo, 21 de outubro de 2012

UTI


Não viva contido,
exploda em cada célula,
seu instante de vida.
um infarte fulminante,
ou uma dose de alegria.
não se preocupe com o amanhã,
hoje já pode ser tarde,
pra dizer o que nunca foi dito.
Aos amores!
Aos amores!

A vida que tudo arrasta os amores também
uns dão à costa, exaustos, outros vao mais além
navegadores só solitários dois a dois
heróis sem nome e até por isso heróis

Desde que o John partiu a Rosinha passa mal
vive na Loneley Street, Heartbreak Hotel, Portugal
ainda em si mora a doce mentira do amor
tomou-lhe o gosto ao provar-lhe o sabor

Os amores são facas de dois gumes
têem de um lado a paixão, do outro os ciúmes
são desencantos que vivem encantados
como velas que ardem por dois lados

Aos amores!

No convento as noviças cantam as madrugadas
e a bela monja escreve cartas arrebatadas
"é por virtude tua que tu és o meu vício
por ti eu lanço os ventos ao precipício"

O Rui da Casa Pia sabe que sabe amar
sopra na franja, maneira de se pentear
vai à posta restante para ver quem lhe escreveu
foi uma bela monja que nunca conheceu

Aos amores!
(desordeiros irresistíveis deleituosos entranhantes
verdadeiros evitáveis buliçosos como dantes
bicolores transgressores impostores cantadores)

A Marta, quinze anos, vê na televisão
um beijo igual ao que ontem deu junto do vulcão
faz baby-sitting à espera de parecer mulher
quando é que o amor lhe explica o que dela quer?

Depois da dor, como conservar a inocência?
leia um bom livro, legue as lágrimas à ciência
e parta o vidro em caso de necessidade
deixe o seu coração ir em liberdade

Aos amores!
Sergio Godinho.
(Aos que já tive e aos que ainda terei.)

domingo, 14 de outubro de 2012

Boiando...

O tempo constroí muros de Berlim,
Muralhas da China aprisionam desejos.
Tornei-me Mar Morto
pra renascer em outros beijos.
Além-mar,
olhos verdes,
Vejo-te distante deles.
Quem te disse?
Por enquanto ainda vejo.
Pensei que fosse só um mergulho,
e por não saber nadar,
morri de medo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Rei de Havana





Não sabia para onde ir. Com fome e sem dinheiro. Sua morte e sua desgraça era que vivia exatamente o minuto presente. Esquecia com precisão o minuto anterior e não se antecipava nem um segundo ao próximo minuto. Tem quem viva dia a dia. Rey vivia minuto a minuto. Só o momento exato que respirava. Aquilo era decisivo para sobreviver e ao mesmo tempo o incapacitava de fazer qualquer projeto positivo. Vivia do mesmo modo que a água estancada num charco, imobilizada, contaminada, se evaporando em meio a uma podridão asquerosa. E desaparecendo. (p. 163).

Pedro Juan Gutiérrez

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A cor da volúpia.

Seu cheiro é música para os meus ouvidos,
É matéria-prima do desejo,
Batom vermelho.
Calcinha no chão.
Já cansei de me consolar só com esses dedos,
quero você inteiro, dentro do meu furacão...

sábado, 29 de setembro de 2012

"A origem do mundo" - Gustave Coubert
 
 
Quem há de duvidar que o mundo nasce de dentro das pernas de uma mulher?
Ela te faz sentir pequeno dentro de sua própria grandeza.
Te faz pulsar a vida pra depois morreres em delícias.
É ventre, é terra fértil e molhada
onde brota a semente do prazer e da dor.
 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Gozado.

Gosto,
do gosto,
da gala
que molha
meu corpo
no chão da sala
suspiros cansados
de uma foda interplanetária.

Sede.

Chupar a manga do desprezo,
Vulva molhada do desejo,
Você de pé, a lamber os dedos
Me derreto em gemidos,
Não ouves meus gritos.
No desespero das horas,
Era dor no orifício.
Você enfiava no meu rabo,
Lubrificando lábios,
Sede de porra,
Tesão calado
em cada gota de um caralho.

Fome.


Carne crua

Pensamento mal passado,

Verdade que se come quente.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Deglutindo...




Bebendo a vida
Pagando a conta,
Pegando a estrada.
em linhas de fuga
Já pareço estar distante,
Mas é só esse ponto de vista,
Tenho novas perspectivas,
Um olhar quase turvo,
A mercê de um futuro
que demora de chegar.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

condensação e evaporação